quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Dmitri Hvorostovsky

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1962 - 2017
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Sophia Estudante 2017: os nomeados

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Foram há instantes anunciados os nomeados à quarta edição dos Sophia Estudante entregues anualmente pela Academia Portuguesa de Cinema a curtas-metragens saídas dos mais variados estabelecimentos de ensino.
Nas categorias de Ficção, Documentário, Animação e Experimental os nomeados são:
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Ficção
Casas Caiadas, de Kyle Sousa (UCP Porto)
Estranho Amor, de João Silva Santos (Escola Superior Media Artes e Design)
Foi, de Vasco Reis Ruivo (Universidade Lusófona)
Íris, de Renato Arroyo (Universidade Lusófona)
Loop, de Manuel Caeiro (Escola Profissional de Val do Rio)
Snooze, de Dinis Leal Machado (Escola Superior Media Artes e Design)

Um Refúgio Azul, de João Lourenço (Escola Superior Artística do Porto)
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Documentário
Camel Toe, de Alexandra Barbosa (Escola Artística Soares dos Reis)
Camel Toe, de Francisco Cortez (Escola Superior Artística do Porto)
Navegando pelas Águas do Lethes, de Mónica Cavaco (ETIC_Algarve)
Porque Foi Então que Te Roubaram o Mundo? Quem To Roubou?, de Inês Duarte (Escola Profissional e Artes, Tecnologias e Desporto)
Rumo à Onda Grande, de Eva de Wit (ETIC)
Sou, de Miguel Saraiva Braga (World Academy)
Vala ou Espaço entre o Ser e o Mundo, de Rodrigo Barroso (Escola Artística Soares dos Reis)
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Animação
A Clarabóia, de Alícia Moreira (Instituto Politécnico do Cávado e Ave)
A Viagem, de João Monteiro, Luís Vital e Ricardo Livramento (Escola Superior de Tecnologia e Gestão - Portalegre)
Outro Ritmo, de Elton Fortes, Felix Lima, Pedro Ferreira e Tiago Nunes (Universidade Lusófona)
The Voyager, de João Gonzalez (Escola Superior Media Artes e Design)
Vozes ao Vento, de Elton Fortes, Felix Lima, Pedro Ferreira e Tiago Nunes (Universidade Lusófona)
Wanted, de Eduardo Inácio (ETIC)
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Experimental
Bambara, de Ângela Silva (Escola Artística Soares dos Reis)
Blondes Make the Best Victims, de Rita Ventura (Escola Superior Media Artes e Design)
Brthr, de Inma Veiga (Escola Superior de Artes e Design)
Columbófilo, de Kopal Joshy (Universidade Lusófona)
La Boîte Rouge, de João Rodrigues (ETIC)
N, de Carolina Coelho (Universidade da Beira Interior)
Reminiscência, de Amélia Urbano, Beatriz Mota e Lúcia Pinto (Escola Superior Media Artes e Design)
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 7 de Dezembro no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Call Me by Your Name (2017)

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Chama-me pelo Teu Nome de Luca Guadagninoé uma longa-metragem de co-produção entre Itália, França, Estados Unidos e Brasil presente na competição oficial da décima-primeira edição do Lisbon & Sintra Film Festival que decorre até ao próximo dia 26 de Novembro e que hoje foi exibida no Centro Cultural Olga de Cadaval, em Sintra.
No norte de Itália no Verão de 1983, Elio (Timothée Chalamet) de dezassete anos passa os dias na propriedade da família enquanto se dedica às actividades de um jovem da sua idade... escuta e toca música, insinua-se a Marzia (Esther Garrel) e vive uma aparentemente estável existência com os pais (Michael Stuhlbarg e Amira Casar) com quem celebra uma relação próxima e que lhe proporcionam uma formação académica "não oficial" que fazem dele um jovem com um conhecimento cultural acima da média.
No entanto, é quando Oliver (Armie Hammer), assistente do pai de Elio, chega à propriedade que ele irá finalmente compreender o que sente o seu coração, desenvolver a sua sexualidade e compreender o que é o amor e a perda.
Depois de Io Sono l'Amore (2009) e A Bigger Splash (2015), Luca Guadagnino chega com a adaptação da obra de André Aciman cujo argumento escrito por James Ivory leva o espectador a uma intensa viagem pelo início da década de '80 em Itália. Mas esta não é uma viagem qualquer... nem para as personagens de uma classe alta italiana nem tão pouco para o espectador preso a um ideal de amor "estabelecido" e aceite. Os instantes iniciais de Call Me by Your Name apresentam ao espectador uma tradicional história estival... da despreocupação natural da época aos serões passados em família e a receber amigos sem esquecer uma habitual preparação (parental) para um novo ano lectivo, todas as personagens desta história vivem tempos tranquilos naquele que pode ser considerado um paraíso perdido... um espaço idílico que celebra o convívio, uma certa adoração pela arte e pela cultura - não estivéssemos nós perante uma história que decorre em Itália, um "túmulo" vivo da própria História - que florescem no seio de uma despreocupação aparente. No entanto, tudo iria subitamente ser alterado com a chegada de uma nova (e esperada) personagem.
"Oliver" (Armie Hammer) é aqui o elemento da mudança. Essencialmente um promissor académico que vem não só disfrutar do espaço como auxiliar o "Prof. Pearlman" (Stuhlbarg), "Oliver" tem para com o espaço e aqueles que com ele co-habitam uma relação de indiferente apatia. O seu intuito é profissional e, podendo, aproveitar as maravilhas de uma região que é idílica. Se inicialmente o espectador o considera como alguém indiferente ou até mesmo frio e apático com o espaço e com as pessoas, cedo também surgem os pequenos sinais que o parecem fazer querer estar mais naquele espaço do que apenas por motivos profissionais. Os constantes passeios - desconhecidos em certa medida para o espectador - e a convivência com os nativos transformam-no (para o espectador uma vez mais) em alguém que não será, afinal, tão indiferente quanto as suas acções o parecem querer fazer. É então que surge a dinâmica com "Elio"...
Tanto "Elio" como "Oliver" estão essencialmente no chamado "início de vida"... Se para um os prazeres da dita já se começaram a provar, para um ainda jovem "Elio" que se encontra no tal "despertar" emocional, sexual e até sentimental, todos os comportamentos que lhe são naturais ou, até mesmo, aqueles que adquire por convivência e reprodução são uma novidade e a presença de "Oliver" por e para quem se mostra um interessado fazem do jovem "Elio" um curioso relativamente preparado para a experiência que lhe trará este Verão. Se a dinâmica entre ambos parece inicialmente condenada a residir apenas no campo da indiferença e de um certo desdém que, compreendemos mais tarde ser o resultado de uma frustração proveniente de um interesse mútuo não manifestado, acaba por ser a paixão pela cultura e pela arte - das ruínas das civilizações antigas de Itália à música que ambos admiram - que os aproxima e os faz olharem-se não como meros companheiros de casa mas sim como aquele alguém que irá manifestamente alterar as suas vidas fazendo daquilo que não se pode confessar o motivo para que troquem todas as confidências e sentimentos até então reprimidos.
Se o primeiro momento de Call Me by Your Name se dedicou quase exclusivamente a "Elio" como um jovem relativamente apático para quem tudo e nada são preocupações, é agora a sua dinâmica com "Oliver" que se transforma no elemento central desta história que - espera o espectador - terá tudo ou para resultar ou falhar sem barreiras. Da descoberta a uma aparente indiferença - qual jogo de dança com avanços e retrocessos -, "Elio" e "Oliver" aproximam-se e distanciam-se conforme as possibilidades que (pensam) surgem entre eles. Da Itália profundamente tradicional e onde persistem os valores de outros tempos à dinâmica de todo um novo mundo que se avizinha no seu futuro - ainda que este se mantenha distante - os dois cruzam uma etapa das suas vidas em que o amor (ou o seu despoletar) tem tanto de proibido como de apetecível e se para um este se traduz no despertar de um traço da sua personalidade que desconhecia ou, pelo menos, que tardava em reconhecer, para o outro é a confirmação de um sentimento nobre, talvez já há muito não sentido, e que agora está ali ao seu lado prestes a tudo experimentar, tudo sentir e possibilitando que tudo se proporcione.
Mas, se da dinâmica entre os dois se trata, no fundo, toda a história de Call Me by Your Name, é certo que o maior crescimento emocional se encontra do lado do "Elio" de Timothée Chalamet não só pela forma como o actor retrata não só o inicial conflito emocional que o divide entre "Marzia" e de seguida para com "Oliver" mas principalmente pelo seu ritual de descoberta e pela silenciosa dinâmica que mantém com os seus pais conhecedores da sua transformação emocional mas que o acompanham passo a passo incentivando e promovendo esse crescimento sem um julgamento ou condenação. Aliás, se toda esta longa-metragem mostra essa mesma evolução sentimental de "Elio", são os minutos finais junto do seu pai que lhe conferem toda um poder dramático capaz de fazer valer todo um filme que, já de si, se afirma como um dos emocionalmente mais intensos do ano.
Call Me by Your Name é assim uma história de descoberta sentimental, do tal primeiro e verdadeiro amor que, independentemente de poder terminar ou não da melhor forma, se assume como aquele detentor de todo um poder transformador que perdurará na memória e que assumirá a responsabilidade pelas mais profundas marcas emocionais e sentimentais. Aquele que irá perdurar como o que deixou as referências de um sentimento difícil de se poder reencontrar mas que possibilitou a experiência de o reconhecer quando e se alguma vez se voltar a repetir. Mas, ao mesmo tempo, Call Me by Your Name é ainda a confirmação não de uma história onde a homossexualidade é fruto de uma qualquer relação amargurada ou rodeada de todo um conjunto de regras nocturnas de um qualquer submundo mas sim uma história firmada no seio de uma família onde reina a confiança, o amor, a entrega e a partilha de todo um conjunto de sentimentos que, independentemente de não serem proferidos são sentidos como uma presença constante. "Elio" incapaz de proferir os seus reais sentimentos no seu seio familiar sente que, sem o confirmar, tem o apoio dos seus pais que implicitamente com uma presença ou uma conversa mais franca onde tudo se esclarece, estão do seu lado prontos para amá-lo e ampará-lo quando e se o necessitar. Call Me by Your Name, sem recorrer ao gratuito ou a um qualquer submundo, confirma que as histórias de amor no cinema não estão apenas direccionadas para um público heterossexual mas também para o público homossexual, com histórias e finais (mais ou menos) felizes e capaz de agradar a todo um grande público afirmando-se sim, como um dos grandes filmes do ano.
Da Itália tradicional - ou tradicionalista - onde ainda persistiam as inúmeras referências aos valores familiares "correctos" instaurados pelo regime pré-guerra, Call Me by Your Name transporta o amor como o valor primordial e essencial nas relações humanas. Seja o amor familiar, aquele que perdurará entre amigos que partilham todo um conjunto de momento cúmplices ou até mesmo entre o tal primeiro - e talvez único - grande amor, esta história vai para lá de qualquer estigma permitindo ao espectador observar esse conto sobre o amor... O amor que inicialmente se estranha, que depois até se repele mas com o qual finalmente não se consegue passar sem ele. O amor que os faz (re)conhecer-se, que os impele a passar todo o seu tempo juntos e no qual se depositam todas as mais íntimas confidências sabendo que não existirá no seu seio qualquer tipo de julgamento. Call Me by Your Name é assim uma verdadeiro celebração ao mais nobre de todos os sentimentos.
Para lá de toda uma reconstituição história de época irrepreensível graças ao magnífico toque de um dos mais intensos realizadores italianos do momento, Call Me by Your Name é também a confirmação de um notável conjunto de actores entre os quais se destacam, obviamente, Timothée Chalamet, Armie Hammer e Michael Stuhlbarg. Se a dinâmica sentimental entre os dois primeiros é aquela esperada de uma relação afectiva que se descobre, desenvolve e cimenta, é aquela sentida entre o "Elio" de Chalamet e o seu pai interpretado por Stuhlbarg que se destaca. Nestas histórias centradas na confirmação de um amor homossexual, o espectador está tradicionalmente habituado a assistir aos inúmeros conflitos familiares que passam desde o repúdio ao abandono encontrando, no entanto, aqui uma história de profunda e extrema dedicação entre os dois. A descoberta de "Elio" e a certeza do seu pai de que independentemente de qualquer sentimento que ele manifestasse estaria sempre ao seu lado disposto a apoiar o filho em todas as suas cruzadas é, no mínimo, desarmante e talvez o momento que mais facilmente puxa pela lágrima do espectador.
Call Me by Your Name é assim a confirmação de uma das mais intensas histórias dramáticas e de amor do ano. Uma história capaz de impulsionar o género romântico afastando o drama mais fácil e esperado confirmando que o amor - primeiro e verdadeiro - pode permanecer para sempre na vida daqueles que arriscam experimentá-lo e por ele se deixar guiar independentemente das consequências que chegam àqueles que o quiseram sentir. Sem querer recorrer ao lugar comum que é, no entanto, aqui imprescindível mas... Call Me by Your Name é um clássico confirmado e intemporal.
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"Mr. Perlman: We rip out so much of ourselves to be cured of things faster than we should that we go bankrupt by the age of thirty and have less to offer each time we start with someone new. But to feel nothing so as not to feel anything - what a waste!"
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10 / 10
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David Cassidy

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1950 - 2017
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Film Independent Spirit Awards 2017: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Independent Spirit Awards destacando Call Me By Your Name, de Luca Guadagnino, The Florida Project, de Sean Baker, Get Out, de Jordan Peele, Lady Bird, de Greta Gerwig e The Rider, de Chloé Zhao como os cinco candidatos ao troféu de Melhor Filme.
São os nomeados:
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Melhor Filme
Call Me by Your Name, de Luca Guadagnino
The Florida Project, de Sean Baker
Get Out, de Jordan Peele
Lady Bird, de Greta Gerwig
The Rider, de Chloé Zhao
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Melhor Primeira Obra
Columbus, de Kogonada
Ingrid Goes West, de Matt Spicer
Menashe, de Joshua Z. Weinstein
Oh Lucy!, de Atsuko Hirayanagi
Patti Cake$, de Geremy Jasper
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Prémio John Cassavettes
Dayveon
, de Amman Abbasi
A Ghost Story, de David Lowery
Life & Nothing More, de Antonio Méndez Esparza
Most Beautiful Island, de Ana Asensio
The Transfiguration, de Michael O'Shea
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Melhor Documentário
The Departure, de Lana Wilson
Motherland, de Ramona S. Diaz
Quest, de Jonathan Olshefski
De Sidste Mænd i Aleppo, de Firas Fayyad, Steen Johannessen e Hasan Kattan
Visages, Villages, de JR e Agnès Varda
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Melhor Filme Internacional
120 Battements par Minute, de Robin Campillo (França)
I Am Not a Witch, de Rungano Nyoni (Reino Unido/França/Alemanha)
Lady Macbeth, de William Oldroyd (Reino Unido)
Nelyubov, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio (Chile)
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Melhor Realizador
Sean Baker, The Florida Project
Jonas Carpignano, A Ciambra
Luca Guadagnino, Call Me by Your Name
Jordan Peele, Get Out
Benny Safdie e Josh Safdie, Good Time
Chloé Zhao, The Rider
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Melhor Actor Protagonista
Timothée Chalamet, Call Me by Your Name
Harris Dickinson, Beach Rats
James Franco, The Disaster Artist
Daniel Kaluuya, Get Out
Robert Pattinson, Good Time
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Melhor Actriz Protagonista
Salma Hayek, Beatriz at Dinner
Frances McDormand, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Margot Robbie, I, Tonya
Saoirse Ronan, Lady Bird
Shinobu Terajima, Oh Lucy!
Regina Williams, Life and Nothing More
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Melhor Actor Secundário
Nnamdi Asomugha, Crown Heights
Armie Hammer, Call Me by Your Name
Barry Keoghan, The Killing of a Sacred Deer
Sam Rockwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Benny Safdie, Good Time
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Melhor Actriz Secundária
Holly Hunter, The Big Sick
Allison Janney, I, Tonya
Laurie Metcalf, Lady Bird
Lois Smith, Marjorie Prime
Taliah Lennice Webster, Good Time
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Melhor Argumento
Greta Gerwig, Lady Bird
Azazel Jacobs, The Lovers
Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Jordan Peele, Get Out
Mike White, Beatriz at Dinner
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Melhor Primeiro Argumento
Kris Avedisian, Kyle Espeleta e Jesse Wakeman, Donald Cried
Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani, The Big Sick
Ingrid Jungermann, Women Who Kill
Kogonada, Columbus
David Branson Smith e Matt Spicer, Ingrid Goes West
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Melhor Montagem
Ronald Bronstein e Benny Safdie, Good Time
Walter Fasano, Call Me by Your Name
Alex O’Flinn, The Rider
Gregory Plotkin, Get Out
Tatiana S. Riegel, I, Tonya
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Melhor Fotografia
Thimios Bakatakis, The Killing of a Sacred Deer
Elisha Christian, Columbus
Hélène Louvart, Beach Rats
Sayombhu Mukdeeprom, Call Me by Your Name
Joshua James Richards, The Rider
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Prémio Robert Altman: Mudbound, Dee Rees (realizadora), Billy Hopkins e Ashley Ingram (directores de casting) e Jonathan Banks, Mary J. Blige, Jason Clarke, Garrett Hedlund, Jason Mitchell, Rob Morgan e Carey Mulligan (elenco)
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Prémio Bonnie:
So Yong Kim, Lynn Shelton e Chloé Zhao
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Prémio Truer than FictionShevaun Mizrahi, Distant Constellation
Jonathan Olshefski, Quest
Jeff Unay, The Cage Fighter
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Someone to Watch Award

Amman Abbasi, Dayveon
Justin Chon, Gook
Kevin Phillips, Super Dark Times
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Producers Award:
Giulia Caruso e Ki Jin Kim, Ben LeClair e Summer Shelton
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Os vencedores serão anunciados numa cerimónia a realizar a 3 de Março de 2018, na Califórnia.
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Producers Guild of America Awards 2017: Documentários nomeados

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Foram hoje divulgados os nomeados aos Producers Guild of America Awards na categoria de Documentário Longa-Metragem estando estes na linha da frente para a nomeação para o Oscar na respectiva categoria.
São os nomeados:
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Documentário Longa-Metragem
Chasing Coral, de Jeff Orlowski
City of Ghosts, de Matthew Heineman
Cries from Syria, de Evgeny Afineevsky
Earth: One Amazing Day, de Richard Dale, Lixin Fan e Peter Webber
Jane, de Brett Morgen
Joshua: Teenager vs. Superpower, de Joe Piscatella
The Newspaperman: The Life and Times of Ben Bradlee, de John Maggio
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Os vencedores desta categoria bem como em Ficção - cujos nomeados serão anunciados no próximo dia 5 de Janeiro - serão conhecidos na cerimónia a realizar no Beverly Hilton Hotel a 20 de Janeiro de 2018.
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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

How to Talk to Girls at Parties (2017)

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How to Talk to Girls at Parties de John Cameron Mitchell é uma longa-metragem de co-produção norte-americana e britânica e a mais recente obra do realizador de Hedwig and the Angry Inch (2001) e Rabbit Hole (2010).
No submundo punk da Londres do final da década de '70, Enn (Alex Sharp) e os amigos tentam encontrar uma festa organizada por Queen Boadicea (Nicole Kidman). Ao chegarem a uma casa onde um grupo de alienigenas se reúne para uma festa de despedida do planeta Terra, Enn conhece Zan (Elle Fanning) por quem sente uma química imediata. No entanto, Enn está longe de imaginar que este grupo de estranhos "estudantes americanos" se prepara para um misterioso rito de passagem...
A expectativa de reencontrar uma colaboração entre Cameron Mitchell e Nicole Kidman era grande. Grande ao ponto de esperar desta obra cujo argumento é assinado pelo próprio realizador e por Philippa Goslett baseado no conto da autoria de Neil Gaiman e com uma abordagem a um período sempre fascinante da História contemporânea britânica se transformasse numa das referências deste ano. No entanto se a temática oscila entre o enigmático e a comédia podendo facultar ao espectador uma experiência cinematográfica diferente... aquilo que no final se regista é que esta comédia o é... mas não pelos melhores motivos.
How to Talk to Girls at Parties dá início à sua odisseia - mesmo que desastrosa - com um pequeno espectáculo digital onde os efeitos especiais reinam. Se o espectador pensa que este poderá vir a ser um dos trunfos desta longa-metragem, cedo compreende que eles mais não são do que uma amostragem dos pequenos clãs extraterrestres que irão brindar o ecrã com a sua presença. Dos seus clãs que mais tarde descobriremos serem representações de qualidade mais ou menos humanas (afinal todos têm um pouco de inteligência, motivação, etc etc etc...), saberemos também que nenhum deles apresenta o coração que falta à sua expedição inter-galáctica. Da satisfação das mais básicas necessidades não humanas à celebração de uma humanização da diferença, How to Talk to Girls at Parties tenta criar a "raça" perfeita ao criar a primeira relação entre espécies em Terra e comprovar que a diferença - dentro ou fora do planeta - deve ser celebrada e não repudiada ou antagonizada.
É então que chegamos ao momento punk... ou pelo menos àquele que aqui seria tentado. Se é certo que a longa-metragem de John Cameron Mitchell tenta explorar um pouco desta temática apresentando nas suas personagens um certo descontentamento pela sociedade actual - da altura - em que a juventude dos '70 se tentava demarcar não só da ordem imposto como moralmente correcta como também dos idos '60 em que o optimismo hippie não resultou enquanto "fundador" de uma nova sociedade, é também certo que How to Talk to Girls at Parties falha na medida em que ridiculariza os objectivos de toda uma geração que aqui são praticamente - senão totalmente - inexistentes. Ainda que exista alguma necessidade de explorar o lado violento (ou desobediente) da juventude - qual delas não o é?! - e que a expressão ou interacção entre as personagens seja essencialmente feita à base de um código de indiferença, ridicularização e até mesmo pelo uso dessa esperada violência, How to Talk to Girls at Parties tudo transforma num conjunto de momentos pré-fabricados onde esse desprezo pelo imposto está presente mas, no entanto, aqueles que lhe desobedecem caem não só nas manhas de um conjunto de sentimentos pacifistas - o amor, a comunhão ou até mesmo a cumplicidade - que são essencialmente esperados pela dita "ordem" que tanto juram repudiar.
Se isto não fosse suficiente para classificar esta longa-metragem como uma obra tão estranha como as suas personagens o são, é a excessiva semelhança a Hedwig and the Angry Inch (2001) que o transforma numa (não) sequela transferida de Berlim para Londres onde apenas escapa a componente de recriação de época. As personagens estão estereotipadas, os valores adulterados e a esperança num mundo melhor... nunca mais chega. Se "Enn" e os seus amigos mais não são do que um conjunto de adolescentes iguais àqueles de uma qualquer outra época, justo será dizer que os pouco icónicos extraterrestres conseguem consumar o nível de absurdo de toda esta história... Dos seus aspectos aos rituais pseudo-canibalísticos que defendem sem esquecer o desdém por uma sociedade que considerem menos evoluída mas que apresenta valores maiores - ainda que não cumpridos - ou o eterno estigma de que os terrestres mais não são do que passíveis receptáculos de um qualquer abuso sexual que satisfaça as necessidades "superiores" de uma raça que também o é, How to Talk to Girls at Parties centra todo um conjunto de elementos que levam o espectador a rir do resultado final... mas não pelos melhores motivos.
Perdida a esperança de que esta longa-metragem seja uma análise, mesmo que cómica, do movimento punk em que se analisa uma época pelos olhos daqueles que apenas a vislumbraram à distância, How to Talk to Girls at Parties transforma essa raça superior "vinda de longe" numa analogia parental para com as personagens terrestres como os inesperados "diferentes" que o poder paternal não consegue compreender. Se a isto juntarmos a explícita vontade de classificar os terrestres como exploradores de um planeta que definha com o passar dos anos então Cameron Mitchell conseguiu ainda filmar uma improvável história ambiental como que um aviso para as gerações futuras... "vocês comem tudo que um dia acabam por comer-se a vocês próprios"...
Como momento positivo destas quase das horas de cinema "alternativo" temos então a já referida reconstituição de época dos bairros e lares operários dos arredores londrinos às grandes mansões desertificadas fruto de uma época de colapso económico passando pelos trajes a maquilhagens característicos de uma geração em revolta sem esquecer, claro está, o excêntrico guarda-roupa quer de terrestres quer dos "extra" ambos futuristas - nem sempre pelos melhores motivos - para uma época em constante transformação.
De uma Elle Fanning nem sempre bem aproveitada - afina, para ser superior anda muito perdida - a um Alex Sharp em modo "o que estou aqui a fazer", são os secundários como Nicole Kidman como "Queen Boadicea" ou AJ Lewis como "Vic" que melhor encarnam não só o espírito de uma época como as personagens mais centradas deste conto e, no fundo, com mais sentido ou conteúdo numa história que se perde e atropela a cada minuto que passa transformando este tão esperado How to Talk to Girls at Parties naquilo que vulgarmente se poderia apelidar de um perfeito desastre. Ainda que se tenha tentado conferir-lhe uma alma (a filme e a personagens), esta perdeu-se tão ou mais depressa do que o sentido da obra nesse tal Universo que ninguém sabe quando ou onde (se é que) termina.
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4 / 10
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Tous les Rêves du Monde (2017)

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Todos os Sonhos do Mundo de Laurence Ferreira Barbosa é uma co-produção luso-francesa com o selo de Paulo Branco exibida no Centro Cultural Olga de Cadaval decorrer da décima-primeira edição do Lisbon & Sintra Film Festival que decorre até ao próximo dia 26 de Novembro.
Paméla (Paméla Constantino-Ramos) é uma jovem de 18 anos filha de emigrantes portugueses em França. Com muitos sonhos mas poucos objectivos concretos na vida, Paméla tem apenas como paixões a patinagem no gelo, tocar piano e as viagens que faz a um saudoso Portugal que visita duas vezes ao ano. Num limbo entre a idade jovem e os anos enquanto adulta, entre França e Portugal e as certezas e incertezas que toda esta descoberta comporta, Paméla tem ainda de descobrir o mais importante... o seu próprio rumo.
A realizadora e Guillaume André escrevem este belíssimo argumento centrado na figura da jovem "Paméla". Dos dias em que a sua vida se prepara para uma mudança radical abraçando a tal idade adulta que tantas dúvidas e incertezas tráz, "Paméla" vive na sombra de uma família conservadora que a ama e todos aqueles sonhos de menina que, de uma ou outra forma, vão forçosamente desvanecendo materializando-se uns e dissipando outros naquela imaginação de uma criança que... já não é.
Os primeiros momentos desta jovem magnificamente interpretada por uma Paméla Constantino-Ramos, apresentada como actriz amadora mas cheia de uma garra invulgar para um primeiro desempenho cinematográfico, levam a que o espectador a acompanhe nos seus instantes enquanto estudante finalista com problemas em libertar-se daquele último ano escolar. Vítima de um complexo para com o eterno rótulo de "filha de emigrantes", "Paméla" é por um lado aconselhada a seguir a via profissional e, por outro, vive o sonho dos pais em se formar na escola dita "normal" não podendo de qualquer forma desapontá-los nesse objectivo. Ao mesmo tempo que reencontra "Kevin" (Alexandre Prince), um velho companheiro de escola que se sente atraído por ela, prepara-se ainda para regressar de férias a Portugal onde irá reunir-se com toda a família mas sem passar por Lisboa que tanto anseia conhecer.
Lentamente, na França que a viu nascer bem como mais tarde no Portugal em que encontra as suas origens e raízes, "Paméla" transforma-se, perante o seu silêncio e normal fechar de olhos dos seus pais, na jovem mulher que inevitavelmente é. A confirmação de que vive dividida entre dois países e dois mundos, uma família e a sua independência, a escola e um eventual trabalho ou até mesmo a solidão e um potencial namoro que lhe batem à porta são todos elementos desta transformação pela qual "Paméla" atravessa e que, privada de alguém próximo com quem compartilhar estes momentos, os enfrenta sózinha mas de pulso firme e com uma vontade natural de se afirmar. "Paméla" é, em última análise, uma jovem pré-adulta que tem de começar a tomar as suas escolhas, decidir os seus gostos e firmar os seus objectivos ainda que, muitos deles, possam diferir daqueles naturalmente impostos por uma família que só quer o seu melhor.
Perdida entre amores e desamores, amizades perdidas e agora reconquistadas, um país de origem e outro no qual se sente realmente em casa, numa família que apenas quer o seu melhor mas que esquece (por amor) os seus próprios desejos e vontades, é então "Paméla" aquela que realmente atravessa toda uma época de transformações e auto-conhecimento que não avisaram que chegariam mas que se impuseram esperando uma resposta que ela seria forçada a dar. Presa a uma imagem de menina, esta jovem mulher tem agora que finalmente decidir pela sua própria vontade mesmo contra a vontade daqueles com quem co-habita ou qualquer amizade que possa eventualmente ter. Longe de ser a menina perfeita na escola ou mesmo de desejar ter o eterno rótulo de "capaz para o ensino profissional" vulgarmente atribuído aos "segunda geração", "Paméla" terá de definir o que realmente quer... ser a eterna criança por e sobre quem todos os demais decidem ou perder-se por todos os sonhos do (seu) mundo?... Ou, pelo menos, por alguns deles... (impedido está o espectador de também compreendê-los ao observar quais os momentos aos quais ela verdadeiramente se dedica... desde a patinagem ao cinema sem esquecer a música e, aparentemente, o mundo das artes ou tão bem parece enquadrar-se...).
Se Ferreira Barbosa e Guillaume André criam esta história de auto-afirmação e descoberta ao qual o espectador se dedica com gosto e se se encontram aqui jovens talentos dos quais certamente muito ainda se escutará como, por exemplo, Alexandre Prince com o seu humor desarmante, David Murgia que com o seu "Jérémy" marca pela irreverência ou mesmo Lola Vieira que se assume como a secundária de peso junto da protagonista é, no entanto, a Paméla Constantino-Ramos que o mesmo espectador se rende. Actriz amadora - tal como fora apresentada (e os demais) no início da sessão -, Constantino-Ramos é dona de uma sensibilidade extrema que torna a sua personagem ora frágil ora determinada, ora sonhadora ora detentora de muitas certezas - o momento na clínica de aborto é disso exemplo -, e todos os momentos que lhe são dados enquanto protagonista para presentear o ecrã com a sua presença são, eles próprios, dotados de uma qualquer magia que a sua candura transmitem. Portuguesa, Francesa ou Europeia, Constantino-Ramos (com os desempenhos certos), será certamente uma actriz a fixar não só pelo seu talento como também beleza, de quem se deverá esperar pela próxima entrega enquanto actriz.
Tous les Rêves du Monde - da realizadora, da protagonista ou até mesmo do espectador - é assim uma história sobre a mudança. Aquela mudança que é forçada e que espera sem que por ela se dê conta. Uma mudança pela qual todos atravessamos ao abandonar aquela idade em que tudo é possível mas na qual se começam a sentir o peso das responsabilidades, das escolhas e do eterno vínculo ao qual, pelo decidir, todos ficamos condicionados. Emotivo, realista, por vezes documental mas assumidamente poético, a beleza de Tous les Rêves du Monde assume-se pela forma transversal com que abraça todos os géneros, sem pretensões para lá daquela de contar uma belíssima história com a qual o espectador se possa identificar, emocionar e até mesmo sorrir.
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9 / 10
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domingo, 19 de novembro de 2017

Della Reese

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1931 - 2017
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NAACP Image Awards 2017: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados anuais aos NAACP Image Awards nos Estados Unidos. A nomeação para Melhor Filme do ano recaiu sobre Detroit, Get Out, Girls Trip, Marshall e Roman J. Israel, Esq..
São os nomeados:
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Melhor Filme
Detroit, de Kathryn Bigelow
Get Out, de Jordan Peele
Girls Trip, de Malcolm D. Lee
Marshall, de Reginald Hudlin
Roman J. Israel, Esq., de Dan Gilroy
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Melhor Filme Independente
Detroit, de Kathryn Bigelow
Last Flag Flying, de Richard Linklater
Mudbound, de Dee Rees
Professor Marston and the Wonder Women, de Angela Robinson
Wind River, de Taylor Sheridan
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Melhor Documentário
I Called Him Morgan, de Kasper Collin
STEP, de Amanda Lipitz
Tell Them We Are Rising: The Story of Black Colleges and Universities, de Stanley Nelson
The Rape of Recy Taylor, de Nancy Buirski
Whose Streets?, de Sabaah Folayan e Damon Davis
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Melhor Realizador
Dee Rees, Mudbound
Jordan Peele, Get Out
Malcolm D. Lee, Girls Trip
Reginald Hudlin, Marshall
Stella Meghie, Everything, Everything
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Melhor Actor
Algee Smith, Detroit
Chadwick Boseman, Marshall
Daniel Kaluuya, Get Out
Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.
Idris Elba, The Mountain Between Us
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Melhor Actriz
Amandla Stenberg, Everything, Everything
Danai Gurira, All Eyez on Me
Halle Berry, Kidnap
Natalie Paul, Crown Heights
Octavia Spencer, Gifted
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Melhor Actor Secundário
Idris Elba, THOR: Ragnarok
Laurence Fishburne, Last Flag Flying
Lil Rel Howery, Get Out
Nnamdi Asomugha, Crown Heights
Sterling K. Brown, Marshall
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Melhor Actriz Secundária
Audra McDonald, Beauty and the Beast
Keesha Sharp, Marshall
Regina Hall, Girls Trip
Tessa Thompson, THOR: Ragnarok
Tiffany Haddish, Girls Trip
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Melhor Interpretação Vocal
David Oyelowo, The Lion Guard
Kerry Washington, Cars 3
Loretta Devine, Doc McStuffins
Tiffany Haddish, Legends of Chamberlain Heights
Yvette Nicole Brown, Elena of Avalor
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Melhor Argumento
Dee Rees e Virgil Williams, Mudbound
Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani, The Big Sick
Jordan Peele, Get Out
Kenya Barris e Tracy Oliver, Girls Trip
Mark Boal, Detroit
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sábado, 18 de novembro de 2017

Malcolm Young

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1953 - 2017
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Azzedine Alaïa

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1940 - 2017
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LUX - Prémio de Cinema do Parlamento Europeu 2017: o vencedor

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O Parlamento Europeu anunciou o vencedor do Prémio Lux atribuído anualmente pela instituição à melhor à produção cinematográfica Europeia.
Sameblod, uma co-produção entre a Suécia, Noruega e Dinamarca da realizadora sueca Amanda Kernell foi o grande vencedor numa competição onde se encontravam 120 Battements para Minute, de Robin Campillo (de França) e Western, de Valeska Grisebach (co-produção entre Alemanha, Bulgária e Áustria).
Antonio Tajani, Presidente do Parlamento Europeu felicitou as três longas-metragens destacando que o prémio entregue tem como objectivo a "promoção do cinema criado na Europa, da sua indústria criativa e da sua diversidade cultural e linguística".
Sameblod conta a história de uma jovem Sami que abandona a sua comunidade porque sonha com uma vida diferente mas, no entanto, para perseguir o seu objectivo terá de enfrentar comportamentos racistas.
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Earle Hyman

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1926 - 2017
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ann Wedgeworth

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1934 - 2017
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terça-feira, 14 de novembro de 2017

European Film Awards 2017: os primeiros vencedores

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os primeiros sete vencedores da sua trigésima edição. Com base nos filmes presentes na pré-selecção aos European Film Awards, um júri composto por sete elementos decidiu os vencedores nas categorias de Montagem, Fotografia, Música, Som, Design de Produção, Guarda-Roupa e Caracterização.
São os vencedores:
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Montagem: Robin Campillo, 120 Battements par Minute
Prémio Carlo di Palma - Fotografia: Michail Krichman, Nelyubov
Música: Evgueni Galperine e Sacha Galperine, Nelyubov
Som: Oriol Tarragó, A Monster Calls
Design de Produção: Josefin Asberg, The Square
Guarda-Roupa: Katarzyna Lewinska, Pokot
Caracterização: Leendert van Nimwegen, Brimstone
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Estes, bem como os demais vencedores, serão anunciados numa cerimónia a realizar no próximo dia 9 de Dezembro, em Berlim.
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sábado, 11 de novembro de 2017

Chiquito de la Calzada

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1932 - 2017
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Sevilla Festival de Cine Europeo 2017: os vencedores

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Terminou hoje mais uma edição do Festival de Cinema Europeu de Sevilha que decorria na cidade desde o passado dia 3 de Novembro, tendo o júri oficial anunciado A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho como o grande vencedor deste ano.
São os vencedores:
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Secção Oficial
Giraldillo de Oro: A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho (Portugal)
Grande Prémio do Júri: Western, de Valeska Grisebach (Alemanha)
Menção Especial do Júri: Zama, de Lucrecia Martel (Argentina/Espanha/Portugal/França/Holanda/EUA/Brasil/México/Líbano/Suíça)
Realização: Mathieu Amalric, Barbara (França)
Actor: Pio Amato, A Ciambra (Itália/Brasil/Alemanha/França/EUA/Suécia/França)
Actriz: Selene Caramazza, Cuori Puri (Itália)
Argumento: Thierry de Peretti, Une Vie Violente (França)
Fotografia: Maria von Hausswolff, Vinterbrodre (Dinamarca)
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Secção Las Nuevas Olas
Filme: Niñato, de Adrián Orr (Espanha)
Prémio Especial Las Nuevas Olas: Pin Cushion, de Deborah Haywood (Reino Unido) e The Wild Boys, de Bertrand MAndico (França)
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Prémio Las Nuevas Olas No Ficción: Distant Constellation, de Shevaun Mizhari (Turquia/EUA)
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Prémio FIPRESCI - Competição Oficial Resistencias: Ternura y la Tercera Persona, de Pablo Llorca (Espanha)
Prémio DELUXE: El Mar nos Mira de Lejos, de Manuel Muñoz Rivas (Espanha)
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Prémio Europa Junior: Le Grand Méchant Renard et Autres Contes..., de Benjamin Renner e Patrick Imbert (França/Bélgica)
Prémio Cinéfilos del Futuro: Just Charlie, de Rebekah Fortune (Reino Unido)
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Grande Prémio do Público - Selecção EFA: Insyriated, de Philippe Van Leeuw (França/Bélgica/Líbano)
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Prémio EURIMAGES - Co-Produção Europeia: L'Intrusa, de Leonardo di Costanzo (Itália/Suíça/França)
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Prémio CICAE - Primeira Obra: God's Own Country, de Francis Lee (Reino Unido)
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Jurado ASECAN
Filme: Tierra Firme, de Carlos Marqués-Marcet
Prémio Rosario Valpuesta - Curta-Metragem Andaluza: El Mundanal Ruido, de David Muñoz
Prémio Rosario Valpuesta - Contribuição Artística: Ayer o Antever, de Hugo Sanz Rodero
Menção Especial: Diferencias, de Isabel Alberro
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IV Premio Ocaña a La Libertad: Mr. Gay Syria, de Ayse Toprak (Turquia/Alemanha/França)
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Caminhos do Cinema Português 2017: selecção oficial

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Foi hoje divulgada a programação oficial da vigésima-terceira edição do Caminhos do Cinema Português que irá decorrer em Coimbra entre os dias 27 de Novembro e 3 de Dezembro. Entre os seleccionados encontram-se curtas e longas-metragens de ficção, documentário e animação estreadas ao longo do último ano e algumas já premiadas nacional e internacionalmente e aqui a concorrerem aos mais de vinte troféus a atribuir.
É a selecção:
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Ficção
Al Berto, de Vicente Alves do Ó
Altas Cidades de Ossadas, de João Salaviza
António e Catarina, de Cristina Hanes
António Um Dois Três, de Leonardo Mouramateus
Ao Telefone com Deus, de Vera Casaca
Câmara Nova, de André Marques
A Carga, de Luís Campos
Coelho Mau, de Carlos Conceição
Colo, de Teresa Villaverde
Coração Negro, de Rosa Coutinho Cabral
Coup de Grace, de Salomé Lamas
Delírio em Las Vedras, de Edgar Pêra
O Dia em que as Cartas Pararam, de Cláudia Clemente
A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho
Farpões Baldios, de Marta Mateus
Ferro Sangue, de Fábio Penela
Flores, de Jorge Jácome
Freelancer, de Francisco Lacerda e Afonso Lopes
Hei-de Morrer Onde Nasci, de Miguel Munhá
Histórias de Alice, de Oswaldo Caldeira
O Homem de Trás-os-Montes, de Miguel Moraes Cabral
Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes
A Ilha dos Cães, de Jorge António
Já Passou, de Sebastião Salgado
O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam, de João Cristóvão Leitão
Laranja Amarelo, de Pedro Augusto Almeida
A Língua, de Adriana Martins da Silva
Longe da Amazónia, de Francisco Carvalho
A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha
Nyo Vweta Nafta, de Ico Costa
São Jorge, de Marco Martins
O Sapato, de Luís Vieira Campos
Semente Exterminadora, de Pedro Neves Marques
Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo
O Turno da Noite, de Hugo Pedro
Ubi Sunt, de Salomé Lamas
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Documentário
Carta ao Meu Avô, de João Nunes
O Homem Eterno, de Luís Costa
Luz Obscura, de Susana de Sousa Dias
Nasci com a Trovoada - Autobiografia Póstuma de um Cineasta, de Leonor Areal
Norley e Norlen, de Flávio Ferreira
Notas de Campo, de Catarina Botelho
Où en Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?, de João Pedro Rodrigues
Qualquer Coisa de Belo, de Pedro Sena Nunes
Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira
Rosas de Ermera, de Luís Filipe Rocha
Souvenirs, de Paulo Martinho
Tarrafal, de João Paradela
Vou-me Despedir do Rio, de David Gomes
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Animação
Água Mole, de Laura Gonçalves
Das Gavetas Nascem Sons, de Vítor Hugo
A Gruta de Darwin, de Joana Toste
Sete, de Gustavo Sá
A Sonolenta, de Marta Monteiro
Surpresa, de Paulo Patrício
A Tocadora, de Joana Imaginário
Última Chamada, de Sara Barbas
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Ray Lovelock

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1950 - 2017
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Ética (2016)

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Ética de Román Reyes é uma curta-metragem espanhola de ficção que revela a história de Manu (Reyes), um homem que um dia decide seguir o seu verdadeiro "eu" como Elisa. Num mundo que não está preparado para aceitar e respeitar a diferença, conseguirá Elisa viver de bem com a sua consciência e com os seus sentimentos?
Reyes interpreta, produz, realiza e escreveu o argumento desta história que se debate com um tema quase universal... estará a sociedade como um todo capaz de aceitar a diferença e a individualidade de qualquer um de nós? A resposta, para lá de complexa, quase sempre é dada com um não inicial. No entanto, existe todo um mundo capaz de ser explorado e debatido por detrás do mesmo começando este, desde o primeiro instante, com o elemento mais importante de todos... estará este "eu" capaz de se respeitar a si próprio?
Num mundo formatado e normalizado a compreender apenas os papéis sociais que lhe foram incutidos por séculos de conceitos já estabelecidos e formados como "normais", a luta interior de "Manu" começa quando o próprio compreende a sua diferença dessa sociedade exterior não se enquadrando naquilo que a mesma "escolheu" por ele. Assim, o primeiro passo que este dá para uma total aceitação começa quando o próprio se aceita tal como na realidade se sente e vê... uma mulher. Partindo deste pressuposto começa então a segunda vida - e a única que é essencialmente verdadeira - de "Manu" mas, desta vez, como "Elisa".
"Elisa" é uma mulher proveniente de um ambiente ultra-conservador onde os valores ditos morais se confundem muito rapidamente com um extremismo ideológico latente na pessoa do seu irmão "Adrián" (também interpretado por Reyes) e pelos símbolos políticos e partidários que o mesmo exibe bem como no seu discurso claramente fruto dessa mesma educação - familiar e social - que o aproximam da xenofobia, homofobia ou transfobia. No fundo, para este "Adrián" tudo o que escape à sua noção como "normal" é automaticamente alvo das suas violentas investidas e processado como algo a abater. Assim, e da auto-aceitação a uma desejada aceitação social, "Elisa" embarca naquela que é provavelmente a sua luta mais difícil mas não comparável àquele sentida quando o seu corpo e a sua mente colidiam - também elas - violentamente levando a que o cérebro não registasse a mesma imagem que os seus olhos lhe transmitiam.
Com uma banda sonora que aproxima o espectador de um Laurence Anyways, de Xavier Dolan logo nos instantes iniciais, este Ética tenta portanto celebrar para lá daquela aceitação ou compreensão social, a luta do "eu" sobre a imagem que tem incutida desde jovem idade para com a representação de género que, na realidade, sente como sendo a sua verdadeira. Assim, e considerando todas as barreiras sociais e familiares que persistem na vida do indivíduo - "Elisa" -, o espectador observa não só a sua luta interna como principalmente aquela tida para com todos os elementos exteriores, nomeadamente a família, que deveria ser indiscutivelmente o elo ou grupo primário e de principal apoio para com ela.
Ainda que executada com algumas fragilidades técnicas nomeadamente na captação de som ou dos ângulos captados que a execução de one man show lhe impõe - afinal tudo recai nas mãos do realizador/actor -, Román Reyes consegue, no entanto, incutir a esta sua obra um cunho de relevância social francamente importante na medida em que tenta, pelos seus próprios meios, trazer à sétima arte mais um registo de um tema tido como polémico mas que, na realidade, apenas se centra na mais básica de todas as premissas... o direito de cada um de nós se exprimir e sentir livremente... tal como se sente.
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7 / 10
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Portrait of a Wind-up Maker (2015)

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Portrait of a Wind-up Maker de Darío Pérez é um documentário em formato de curta-metragem espanhol baseado na história de Chema - Miguel Ángel Herrero -, um arquitecto e emigrante espanhol em Amsterdão que dedica a sua vida à construção de pequenos brinquedos de corda a partir de materiais reciclados.
Da fatalidade à reconstrução de toda uma vida dedicada à preservação de uma memória de uma infância interrompida, este breve mas tocante documentário capta a essência de uma vida interrompida e de outra que se inicia longe de umas origens agora relativamente desconhecidas. Intenso e até mesmo terno em diversos momentos pela reconstrução de um lugar "seguro" onde se pode voltar a viver, Portrait of a Wind-Up Maker consegue nos seus parcos quatro minutos de duração conferir ao espectador uma experiência diferente e suficientemente capaz de marcar pela diferença e ser recordada não só num futuro imediato e transportar o espectador para um passado (o seu) onde, em criança, era capaz de fazer as suas delícias com estes pequenos e tradicionais brinquedos que davam cor a uma imaginação já de si bastante preenchida.
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7 / 10
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Haters (2016)

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Haters de Sergio Sánchez Cano é uma curta-metragem espanhola de ficção cuja brevíssima história reflecte sobre o ódio, sobre a sua expansão e sua gratuitidade quando um casal tenta conversar e Ele olha para Ela e disserta sobre o que odeia no mundo... tudo ao seu redor.
Sánchez Cano explora nesta brevíssima curta-metragem não só a insatisfação de um homem para o mundo que o rodeia como também a disseminação deste ódio irracional como voluntária opção de uma abordagem construtiva onde o mesmo tenta resolver aquilo que no mundo - ou pelo menos no seu imediato - mais o afecta ou preocupa. No final, e talvez como expoente máximo desta voluntária capacidade de ver o mal sem o tentar alterar, Haters reflecte sobretudo sobre a possibilidade de, no meio de um ambiente marcado pela negatividade, existir alguém que equacione a existência de um "bem"... de um amor que tenta disseminar e sobretudo sobre a sua hipótese de sobrevivência num ambiente que é, em toda a sua dimensão, adverso à sua propagação.
Do ódio ao romance (ainda que ignorado), Haters é assim a possibilidade da convivência nem sempre harmónica entre dois opostos e, no final, sobre a forma como um deles pode influenciar directamente o outro ocultando-o e mantendo a preponderância de um sentimento existente e marcante sobre o outro. Qual deles será mais forte?... É a pergunta que permanece na mente do espectador...
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3 / 10
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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Premios Sur - Academia Argentina de Cinema 2017: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Premios Sur entregues anualmente pela Academia Argentina de Cinema. Entre os nomeados a Melhor Filme do Ano encontramos El Invierno, de Emiliano Torres (com cinco nomeações), La Cordillera, de Santiago Mitre (com onze nomeações), Una Especie de Família, de Diego Lerman (oito nomeações) e finalmente a co-produção luso-argentina-espanhola Zama, de Lucrecia Martel (com doze nomeações).
São os nomeados:
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Melhor Longa-Metragem de Ficção
El Invierno, de Emiliano Torres
La Cordillera, de Santiago Mitre
Una Especie de Familia, de Diego Lerman
Zama, de Lucrecia Martel
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Melhor Primeira Obra
El Invierno, de Emiliano Torres
El Peso de la Ley, de Fernán Mirás
La Novia del Desierto, de Cecilia Atán e Valeria Pivato
Temporada de Caza, de Natalia Garagiola
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Melhor Documentário
Actriz, de Fabián Fattore
Cuatreros, de Albertina Carri
El Futuro Perfecto, de Nele Wohlatz
El (Im)Posible Olvido, de Andrés Hebegger
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Melhor Realização
Anahí Berneri, Alanis
Santiago Mitre, La Cordillera
Diego Lerman, Una Especie de Familia
Lucrecia Martel, Zama
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Melhor Actor Protagonista
Fernan Mirás, El Peso de la Ley
Leonardo Sbaraglia, El Otro Hermano
Ricardo Darín, La Cordillera
Daniel Giménez Cacho, Zama
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Melhor Actriz Protagonista
Sofía Gala Castiglione, Alanis
Paola Barrientos, El Peso de la Ley
Dolores Fonzi, La Cordillera
Bárbara Lennie, Una Especie de Familia
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Melhor Actor Secundário
Pablo Cedrón, El Otro Hermano
Gerardo Romano, La Cordillera
Daniel Aráoz, Una Especie de Familia
Juan Minujín, Zama
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Melhor Actriz Secundária

Mara Bestelli, El Invierno
María Onetto, El Peso de la Ley
Justina Bustos, Los que Aman, Odian
Marilú Marini, Los que Aman, Odian
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Revelação Masculina
Diego de Paula, El Candidato
Dario Barassi, El Peso de la Ley
Juan Grandineti, Pinamar
Lautaro Bettoni, Temporada de Caza
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Revelação Feminina
Dana Basso, Alanis
Agustina Cabo, Mamá se Fue de Viaje
Cumelén Sanz, No Te Olvides de Mi
Yanina Ávila, Una Especie de Familia
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Melhor Argumento Original
Anahí Berneri e Javier van de Couter, Alanis
Marcelo Chaparro e Emiliano Torres, El Invierno
Cecilia Atán e Valeria Pivato, La Novia del Desierto
Diego Lerman e María Meira, Una Especie de Familia
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Melhor Argumento Adaptado
Israel Adrián Caetano e Nora Mazzitelli, El Otro Hermano
Milagros Mumenthaler, La Idea de un Lago
Esther Feldman e Alejandro Maci, Los que Aman, Odian
Lucrecia Martel, Zama
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Melhor Montage
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Alejandro Alem e Alejandro Parysow, Campaña Antiargentina
Nicolás Goldbart, La Cordillera
Alejandro Brodersohn, Una Especie de Familia
Miguel Schverdfinger, Zama
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Melhor Fotografia
Ramiro Civita, El Invierno
Julián Apezteguía, El Otro Hermano
Wojciech Staron, Una Especie de Familia
Rui Poças, Zama
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Melhor Direcção Artística
José Luis Arrizabalaga e Arturo García, El Bar
Sebastián Orgambide e Micaela Saiegh, La Cordillera
Mercedes Alfonsín, Los que Aman, Odian
Renata Pinheiro, Zama
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Melhor Guarda-Roupa
Paola Torres, El Bar
Sonia Grande, La Cordillera
Beatriz di Benedetto, Los que Aman, Odian
Julio Suárez, Zama
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Melhor Caracterização
Marisa Amenta e Angela Garacija, La Cordillera
José Quetglas, El Bar
Osvaldo Esperón, Emanuel Miño e Susana Ravello, Los que Aman, Odian
Marisa Amenta e Alberto Moccia, Zama
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Melhor Música Original
Gabriel Nesci, Casi Leyendas
Alberto Iglesias, La Cordillera
Leo Sujatovich, La Novia del Desierto
Nicolas Sorin, Los que Aman, Odian
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Melhor Som
Sebastián González, Campaña Antiargentina
Javier Stravrópulos, El Peso de la Ley
Federico Esquerro e Santiago Fumagalli, La Cordillera
Guido Berenblum, Zama
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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Brad Harris

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1933 - 2017
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Karin Dor

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1938 - 2017
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sábado, 4 de novembro de 2017

Victoria and Abdul (2017)

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Vitória & Abdul de Stephen Frears é uma longa-metragem britânica e a directa sequela (sem o ser) de Mrs. Brown (1997) na qual a actriz Judi Dench volta a encarnar a Raínha Victoria.
Se em Mrs. Brown, a Raínha Victoria chorava a recente morte do marido que a levara a afastar-se dos olhares dos seus súbditos encontrando, posteriormente, consolo no seu empregado Brown (Billy Connoly), em Victoria and Abdul o espectador é levado até à comemoração do seu Jubileu onde, para homenagear o seu papel enquanto Imperadora da Índia, Abdul Kareem (Ali Fazal) é enviado para Inglaterra demonstrando dessa forma não só a diversidade do seu Império como também o seu papel enquanto conciliadora de todos os seus habitantes.
Envelhecida e farta do protocolo que a corte pedia, Victoria (Dench) é uma mulher pouco preocupada com as aparências, com as práticas e as normas de um Império que percebe... estar prestes a abandonar... Até chegar Abdul.
O espectador encontra-se em 1887. Da Índia colonial dominado pelo todo poderoso Reino Unido numa sociedade dividida por classes e onde tudo tem forçosamente o seu lugar próprio não podendo existir qualquer tipo de mistura - quer das classes quer das etnias -, Victoria and Abdul é não só o retrato de uma monarca na última etapa da sua vida como principalmente a sua vontade de reerguer-se num mundo onde volta a encontrar o poder de uma amizade fiel e digna livre de constrangimentos e hipocrisias que sentia - até então - por parte de todos aqueles com quem privava mais directamente.
Aquilo que se destaca no imediato para o espectador mais atento é a radical transformação da Raínha entre as duas obras. Separam-nas vinte anos reveladores de uma vida - não só para a actriz como obviamente para a sua personagem - conferindo-lhes (Dench) não só a omnipotência de um vulto real como obviamente aquela de uma actriz enorme como o é actriz britânica. Se em Mrs. Brown a "Raínha Victoria" de Judi Dench era uma mulher marcada pela perda - do marido - neste Victoria and Abdul voltamos a encontrá-la novamente marcada por essa perda mas, no entanto, agora algo mais profundo... não só a solidão que a sua velhice lhe confere mas também o abandono de todos aqueles que sempre amou... um marido, alguns amigos mais próximos, um velho amante e até mesmo alguma presença enquanto monarca absoluta de um Império que agora pouco controla para lá da imagem fugaz e simbólica que representa no e para o mesmo.
Mas, todo este núcleo emocional de e para com ela e o seu meio "natural" e fortemente abalado quando esta mulher é confrontada com a chegada daquilo que qualquer um de nós diria como "ar fresco" que a retiram da sua espiral de decadência entregando-a novamente aos prazeres da curiosidade, do fascínio e da descoberta com a presença de "Abdul" (Ali Fazal), um indiano muçulmano com quem decide não só aprender a sua língua - poluída para os costumes da corte - como alguns dos costumes que iriam abalar a corte ultra-conservadora e que via assim abalada a sua existência por não conseguirem oferecer a esta mulher o conforto e a tranquilidade de espírito que "Abdul" lhe conferia.
A transformação de Dench - ou melhor... de Victoria - é por demais evidente... de um jantar entre monarcas e respectiva corte onde não só ignora todos os convidados à sua volta como também as suas conversas, as suas polidas maneiras e, no fundo, toda uma hipocrisia que já não tende a tolerar e que para lhe escapar... até adormece, para uma descoberta pelo desconhecido que o seu novo hóspede lhe confere ao ponto de se tornarem cúmplices, confidentes e até mesmo travar uma amizade impossível num meio que esperava ansiosamente pela sua morte para poderem fazer girar as influências e uma pirâmide social já estabelecida há muito. Incomodando uma corte podre por dentro e criando inimigos onde nem sequer os imaginava ter, "Abdul" transforma-se assim num estrangeiro não só dentro do palácio como também no país que o acolheu apenas quando possui a sua protectora então desaparecida.
Dench, magnífica desde o primeiro instante não por irradiar toda uma opulência esperada de uma raínha mas sim por dignificar a imagem da mesma com igual pujança como aquela sentida em Mrs. Brown - ainda que marcada pelos já referidos vinte anos de distância transformando-a numa mulher em plena fase de decadência física mas nunca emocional ou psicológica como, a certa altura, a própria faz questão de mencionar - e afirmando-se como a monarca toda poderosa que a própria História recorda, é capaz de entregar ao espectador não só essa magnificência como principalmente toda a sua fragilidade enquanto uma mulher marcada pelos anos, pela História e, sobretudo, pela perda daqueles que mais amou.
"Abdul", curioso mas distante, dedicado mas sempre no seu lado da barricada, desenvolveu um fascínio por esta mulher que nunca abandonou. Ainda que obrigado a estar sempre do seu lado da porta e nunca interferir na presença de outros, a interpretação de Ali Fazal prima não só pela dignificação da sua personagem sempre ao lado não da mulher nem da monarca mas da amiga que conquistou respeitando, mesmo depois da sua morte, a sua memória. Despojado, por ordem do seguinte Rei (filo de Victoria) dos seus bens (em Inglaterra) e da memória que o poderia ter colocado naquele local, "Abdul" manteve a sua integridade e o seu respeito pela amiga e não, tal como ela, por todo o meio repleto de hipocrisia, lutas e jogos pelo poder ou mesmo interesses que em nada o moviam num espaço que, afinal, também não era o seu.
Ainda que repleto de pequenas grandes sequências sobre as intrigas palacianas ou mesmo da revalidação da imagem da mulher-Raínha, Victoria and Abdul não se centra tanto nestes momentos mas sim naqueles em que a monarca, então afastada da vida tal como ela é, ganhou um novo impulso para apreciar os pequenos prazeres que ainda lhe restavam. Uma conversa, uma descoberta, um conhecimento, uma língua nova ou até mesmo um fruto que nunca provara fazem "Victoria" regressar a uma vida que julgava já não ter... ganhar (ou reclamar) mais uns dias e esperar que todo o seu recente sofrimento pudessem ser dissipados com a presença de alguém que, na realidade, a fez voltar a querer viver.
Longe de um drama assolapada pelos feitos de uma monarca cujo reinado foi - até então - o mais longo da História Britânica, Victoria and Abdul é sim uma história que pretende não só fazer justiça a um vulto esquecido da História como também expôr - ainda que de forma pouco acentuada - o equilíbrio encontrado nas diferenças que, em vez de separar e dividir, aproximam as pessoas sedentas de conhecimento, de descobrir e principalmente de fazer renascer a curiosidade de encontrar semelhanças ou pontos de interesse no "outro" pois, afinal, quando analisadas todas características dessa "diferença"... existirão assim tantos opostos ou serão as semelhanças que, no fundo, fazem aproximar e despertar a tolerância?
Mais espaçado no que diz respeito à congruência da história aqui contada como pequenos factos ou relatos dos últimos dias da raínha do que aquilo que se fazia sentir com Mrs. Brown, Victoria and Abdul não deixa de ser mais um estimulante desafio colocado a Judi Dench que, uma vez mais, faz vibrar com a sua presença impondo-se tal como ela é... uma verdadeira lenda que prende o espectador cativando-o desde o primeiro instante. O espectador sente a sua força, a sua determinação e o seu empenho a dignificar um vulto mesmo na sua queda física e, em diversos momentos, até mesmo emocional. Não será a obra mais de Dench... mas mente quem não sente um certo prazer em ver a dramatização da sua personagem e aproximar-se dela nas suas falhas, incertezas e até mesmo defeitos de alguém que sabe já não agradar... não querer agradar... e que simplesmente decidiu que os seus últimos passos serão dados como ela quer... e não como o mundo (neste caso a corte) espera que ela os dê.
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